Perigo

Enviado em Correio Braziliense–coluna Opinião - Sueli Carneiro de Geledés | 20 de Dezembro de 2006 @ 12:19
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Por: Sueli Carneiro - 20/12/2006

Novo tema ganhou destaque na imprensa nos últimos dias. Trata-se de concordata (acordo ou tratado firmado entre um papa e um governante a respeito de assuntos religiosos) que estaria sendo urdida entre o Vaticano e o governo brasileiro. O objetivo seria conceder vantagens religiosas e educacionais à igreja católica.

O assunto veio a público em artigo de Roseli Fischmann publicado na imprensa, no qual a autora revela que, segundo um advogado representante da CNBB “estariam quase totalmente prontos, com poucos pontos a ajustar, os termos de concordata entre o Estado do Vaticano e o Brasil”. Disse ainda o advogado que seria concordata “muito completa, com repercussões legais, políticas, administrativas, tributárias e financeiras” e que a decisão do papa de vir ao Brasil em maio próximo estaria ligada a isso. Outras manifestações da igreja na mídia indicam que a visita se liga ao decréscimo do número de católicos na América Latina e no Brasil.
Para as brasileiras, em especial, a possibilidade de assinatura de tal concordata se reveste de fonte de inesgotáveis preocupações. O Vaticano tem sido inimigo declarado dos direitos das mulheres. De forma obscurantista, tem defendido em fóruns nacionais e internacionais posições dogmáticas que resultam, se aceitas e aplicadas, na exposição a sérios riscos de saúde.
A igreja se opõe ao uso de preservativos para a proteção contra o contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids. Recomenda cândida e idilicamente a castidade para os solteiros e a fidelidade para os cônjuges. Manifesta-se igualmente contra o aborto legal, inclusive nos casos permitidos por lei (como, no Brasil, quando há risco de morte para a gestante ou quando o feto não tem condições de sobrevivência, como os portadores de anencefalia) . É assim também em relação à gravidez decorrente de estupro.
São posições dogmáticas que desprezam o sério problema de saúde pública. É o caso do aborto ilegal, que implica morte ou graves seqüelas para milhares de mulheres anualmente; que nega o direito de se desfazer de gravidez resultante de estupro ou de evitar o sofrimento de persistir com uma gestação em que o feto não tem viabilidade para a vida.
O papa Bento XVI é autor do memorando “Sobre a cooperação dos homens e das mulheres na igreja e no mundo”. Trata-se de documento elaborado quando o pontífice era cardeal. Nele, o papa condena o feminismo, que em seu entendimento conduziria à luta entre os sexos, e repudia a defesa do homossexualismo, que, segundo ele, cria “equivalência entre a homossexualidade e a heterossexualidade” .
Entre os temas que a hipótese de concordata repõe como previsível conseqüência do acordo, está o ensino religioso nas escolas. Ao contrário dos que acreditam que o fato “tem a potencialidade de discutir a tolerância e o pluralismo”, a visão do papa não parece tolerante com a luta de emancipação das mulheres nem com o direito à livre orientação sexual. É a concepção que ele ordena para os fiéis. Não é isso que queremos que as crianças aprendam nas escolas. Nem outras modalidades assemelhadas de dogmas e preconceitos.
Se a liberdade religiosa é uma das conquistas da cidadania e se as mulheres e homossexuais são também sujeitos de direitos arduamente conquistados, a quem cabe o dever de arbitrar quando dois direitos entram em colisão, ou seja, quando o exercício de um implica a negação de outro? Esse é o papel do Estado, ao qual compete assegurar o exercício democrático de ambos.
Aí reside a importância de assegurar a laicidade do Estado, sem ambigüidades, para o que muito contribuiria fosse acatada a sugestão de Aldo Pereira, também em artigo na imprensa, de que o Congresso Nacional aprove emenda constitucional que suprima o parágrafo 1º do art. 210. O texto prevê que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. A supressão reafirmaria o dispositivo secularista expresso no art. 19, inciso I, que “proíbe ao Estado estabelecer (oficializar) ou subvencionar cultos religiosos ou igrejas (congregações) ‘ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança’ (…)”.
As igrejas, candomblés, templos, sinagogas, mesquitas são espaços com o fim específico e legítimo de preservação e reprodução de valores religiosos das diferentes denominações. Então, por que a escola, cuja missão essencial é ofertar ensino laico e científico, deveria destinar tempo e recursos para o proselitismo religioso?

Correio Braziliense – coluna Opinião.

2 respostas to 'Perigo'

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  1. on 18 de Julho de 2008 @ 23:12

    Corumbá-MS, 18 de julho de 2008 / Indignação / Apelo / Não destrua. Medite e passe adiante.
    Tema para pregação; discurso em praça pública: Namoro e Noivado não são Sexo. (Circular).
    Acorda sociedade brasileira, namoro e noivado não é sexo. Portanto, não há necessidade do preservativo camisinha para adolescentes. Prevenção não, educação já. O sexo é Sagrado e deverá ser praticado após o casamento. Nosso corpo é Templo do Espírito Santo. A camisinha só faz despertar o interesse sexual, comprometendo a Castidade e a Fidelidade. Em último caso a camisinha deverá ser usada para maiores de dezoito anos e no caso precoce, só para a jovem que já tenha o hímen rompido. SE as autoridades estão distribuindo a esmo, com a intenção de manipular o sexo entre jovens castos, lembre-se, nesse caso, você está agindo pervertidamente, e está classificado como os piores dos pedófilos. Os números de estrupos aumentam, porque o sexo; a moral está muito vulnerável.
    Jovens, diga não a camisinha, sim a castidade. Você rapaz, respeite sua namorada; respeite sua noiva. Você garota, respeite seu namorado; seu noivo, isto é, evite os momentos de fornicação, vigiando e orando na Fé da sua congregação. Respeite seu corpo. Se você não sabe o que é hímen, é uma película que cobre parcialmente a vagina e só deverá ser rompido após o casamento oficial. Eu poderia me expressar em termo popular, mas não sei se a sociedade iria me aceitar ou reprovar. Estou dizendo isso porque a maioria das jovens não sabe o que é hímen, e muito que é Sagrado. Os pais, os padres, os pastores, os professores, os médicos, os padrinhos… Nunca abordam esse assunto, então a ignorância permanece e a camisinha só vem reforçar essa desinformação, acarretando assim um número maior de jovens desonradas. Lembre-se o número de pedofilia está aumentando, porque a sociedade está comentando que não existe mais virgindade. Não sei de onde tiraram essa idéia diabólica. E o pior de tudo isso é que ainda se dizem católicas. O católico que se cuida, o protestante, que você chama de evangélico, não vai aderir ao movimento do preservativo, aí acarretará uma grande perda de fies católicos, para a denominação protestante. Perda não só religiosa, como também didática. A não ser que você pai, já lavou as mãos e vai deixar sua filha (o) nessa escola promíscua que vier aderir a camisinha. Coloco esse termo porque nem um diretor ou diretora é obrigado a cumprir a determinação do Governo. Recorra a Lei Objeção da Consciência do Código dos Diretos Canônicos. Tenho autorização da Editora Cléofas para denunciar a CNBB, a escola ou igreja que vier ministrar a camisinha, mas não sei se isso funciona, já que está havendo esse silêncio da parte das igrejas.
    Primeiro de dezembro vem aí. Dia Mundial de Combate a AIDS, você jovem, católico (a) fiel, já vai preparando sua Bíblia, e ao estenderem a mão oferecendo camisinha, não aceite. Diga, minha camisinha é a Palavra de Deus. Vamos mostrar ao Governo que a Igreja que Jesus fundou ainda existe. Apesar de que a culpa não é do Governo, mas sim dos pais. Se cruzarmos os braços e continuar nesse silêncio, que é omissão da palavra de Deus, a Humanidade estará diante de uma situação jamais vista. Aí você pode perguntar, e a AIDS? Entregamos na Misericórdia de Deus. Quanto à gravidez precoce, não faça sexo. Obrigatoriamente os pais devem saber com quem sua filha, filho relacionam.
    As autoridades religiosas, independentes do credo, deverão tomar uma postura imediata, urgentíssima ainda esse ano de 2008, referente o sexo seguro que é o sexo Cristão. No dia 26-Jun-08, Quinta-feira, por ocasião de uma entrevista do Professor Felipe Aquino com o Bispo, Dom Roque no Programa Trocando Idéias na TV CN, não senti firmeza, isto é, ouve uma insegurança em sua determinação.
    Para finalizar, estou pedindo uma autorização as autoridades religiosas e sociais, permissão, para que eu com o auxilio de um companheiro (a) façamos uma pregação; discurso no jardim público de Corumbá-MS Brasil, com esse tema acima citado. Data ainda não definida, mas estou planejando faze-lo alguns dias antes de primeiro de dezembro de 2008. Pelo o amor de Deus, achem uma solução para que isso não seja preciso. Pois, porei a boca no trombone. Poderei até ser linchado ou preso. Mas não esqueçam: A Verdade incomoda, mas Liberta. Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará. João 8, 32. (Bíblia). Não são verdades minhas, mas da Doutrina Sagrada, a qual deve ser pregada nas igrejas independente de credo.
    Caso não tenha uma resposta, vou considerar uma autorização; permissão positiva. Atenciosamente,
    Mariano. Tel: 67 3232-5064. / E-mail: marianosoares@bol.com.br


  2. on 1 de Outubro de 2008 @ 00:25

    A sociedade alega que o Brasil é laico. Nada justifica camisinha em praça pública e em escolas.

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