QUEM TÊM DE TOMAR CONSCIÊNCIA SÃO OS BRANCOS!
Quando ouço certos depoimentos eu simplesmente paraliso. Melhor dizendo, paralisava. Tenho uma arma: o teatro. E outra, a escrita. Mais uma, o berro. E mais uma: o voto: Ainda não completamos um mês desde que Obama foi eleito.
Foi nosso berro, nos EUA, contra tudo que achávamos que estava ruim, péssimo, escroto. Mas, mais que isso, foi um voto de confiança na mudança. Qual? Uma mudança radical de que os “Estados Unidos da Mente” (o nome de um espetáculo que estreei em 2004 no La MaMa, em NY, “The United States of the Mind, Anchorpectoris”) pudessem mandar à merda de uma vez por todas a sua imagem de racismo.
Hoje, dia da consciênscia negra, o Brasil se mostra mais racista do que nunca. Esconde seu racismo. Não somente é regido por brancos, mandado por eles, mas as cabeças ainda viram quando negros entram num restaurante chique ou quando uma família negra entra num Mercedez Benz ou num BMW ou Porsche.
Sim, vão me dizer o mesmo clichê que ouço há 4 décadas e, juro, não tenho mais saco: “blá, blá, blá, não é um problema de cor, mas sim de dinheiro e de educação, de cotas, classe social, disso e daquilo“: BULLSHIT, digo eu.
O que tenho ouvido, vivendo na ponte entre três países, EUA, Inglaterra e Brasil, é o seguinte: Está cada vez mais CHOCANTE a questão racial – pesando contra o Brasil. E deveria ser assim? Pensem, deveria ser assim, Claudia, Luz, Anna, Dynha, Mileny (8 anos), José Junior?
Não quero e não irei entrar em longos estudos sociológicos aqui. Isso aqui é um blog. Mas o Brasil chega a ser um ACINTE na questão racial. Declaram um dia da consciência do negro e acham que com isso alertam para algo. Que imbecilidade! Com isso, só fazem com que as pessoas, nós, os brancos azedos, alguns lotados da grana, planejem suas férias ou feriados alongados na quinta e enforquem a sexta, enquanto os negros subalternos, obviamente, terão que comparecer ao batente – como sempre – num regime quase praticamente “pré-pós” 1888, senão… RUA!!!!
Jean Michel Basquiat foi um dos maiores expoentes JOVENS da pintura americana dos anos 80. Morreu de overdose, mas continua sendo um ícone. Não quero fazer a longa lista, desde Colin Powell até Thurgood Marshall ou a própria Condy Rice ou Clarence Thomas, David Dinkins, Andrew Young, etc., ou de âncoras como Bryant Gumbell ou Sue Simmons e Ed Bradley (60 Minutes) que institucionalizaram muito antes do affirmative action a presença do negro na América. OPRAH WINFREY é a mulher mais PODEROSA do dia a dia da América. O livro que ela diz que TEM que ser lido será lido por 20 MILHÕES de brancos, hispânicos, negros, etc. E aí?
Minha lista poderia ser extensa se eu entrasse no mundo das artes cênicas (Sidney Poitier, James Earl Jones, Denzel Washington, Morgan Freeman, Lawrence Fishbourne, etc… Os altos salários de Hollywood). Dr. Martn Luther King: you did have a dream. We’re getting there. Malcom X, I still don’t know what to tell you, exactly. Jesse Jackson, Reverend Al Sharpton and Congressman Charlie Rangel, well… a new era is starting yes!
Dia da Consciência negra no Brasil pra que a brancalhada encha a cara? Não me façam rir.
No espetáculo que ensaio agora, no Rio, o ator (que acaba de se soltar do “pau-de- arara”, todo cheio de Hema-Thomas, quase cego, quase mudo, vai tateando o chão até que acha uma caixa de vinhos.
“UM BORDEAUX 1933!!!”- ele diz. “Que ano estranho!!” E bebe. E vomita. “Sangue, sangue humano. Sangue da ascenção!”
Continua tateando… e encontra outra caixa. Mais Vinho. Dessa vez um Barolo: “Um Barolo, 1945! A Queda! Numa mão, a ascenção, noutra a queda. Que curioso! Quanto sangue humano não deve estar contido nessas garrafas. Será que até o sangue de… ? Deixa pra lá.
Brasil, acorde: VOCÊ é RACISTA COM OU SEM FERIADO. O GIGANTE COMPLETAMENTE DORMENTE é um pais que adora ver negros no campo jogando ou no palco cantando ou na avenida rebolando e isso me leva a VOMITAR!
Graças a deus eu me orgulho, como não canso de dizer, de ligar a TV na CNN, ou na NBC ou CBS ou seja lá qual for, e ser DALTÔNICO e, chegando agora em janeiro, MORRER de ORGULHO de ter sido parte da campanha do meu presidente, Sir Barack OBAMA.
YES, WE CAN!!!!! Yes, we did it !
Gerald Thomas
Mulheres aparecem como favoritas para postos-chave no governo Obama
Duas mulheres, a senadora pelo estado de Nova York Hillary Clinton e a governadora do Arizona, Janet Napolitano, aparecem como candidatas favoritas para liderar postos-chave no futuro governo Barack Obama.
Hillary é a preferida para o Departamento de Estado e Napolitano, para o de Segurança Nacional.
A rede de televisão CNN informou, na madrugada passada, que Penny Pritzker lidera a lista para o Departamento de Comércio. Mas a revista “Politico” informa hoje que a multimilionária empresária de Chicago decidiu se retirar por possíveis conflitos de interesse.
“Acho que posso servir melhor o país na minha atual capacidade: criando negócios, postos de trabalho e trabalhando para fortalecer nossa economia”, disse Pritzker em comunicado.
Fontes próximas ao processo de seleção disseram à imprensa local que Laura D’Andrea Tyson, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca com o presidente Bill Clinton (1993-2001), é outro dos nomes que aparecem para o Departamento de Comércio.
Hillary na diplomacia
Onde parece haver menos confusão é no Departamento de Estado, onde a senadora democrata desponta como uma opção cada vez mais viável.
Confirmada sua designação, Hillary se transformaria em uma das mulheres mais influentes do país.
A senadora possui aliados em ambos os grupos do espectro político e conta com o apoio majoritário da opinião pública.
No domingo, Jon Kyl, segundo na hierarquia dos republicanos no Senado americano, disse que Hillary seria uma “escolha muito boa” para liderar o Departamento de Estado.
O senador democrata Byron Dorgan assegurou, nesse mesmo dia, que Hillary seria confirmada sem problemas pelo Senado se escolhida.
Uma pesquisa divulgada ontem pelo centro Gallup mostra que a maioria dos americanos (57%) vê com bons olhos a possível designação da ex-primeira-dama americana.
Negócios da fundação
Entre os democratas, o sim a Hillary é inequívoco, com 79% a favor de que ela se torne secretária de Estado. Entre os republicanos, o apoio é de apenas 28%.
Uma vez confirmada, a senadora seguiria os passos de outras duas mulheres bem-sucedidas: a atual secretária republicana Condoleezza Rice e a democrata Madeleine Albright.
Entre os empecilhos para sua nomeação figuram os negócios da fundação presidida por seu marido, Bill Clinton, que poderiam gerar conflitos de interesse, e a oposição dos grupos antibelicistas, que vêem com receio seu apoio à invasão do Iraque.
Outra das possíveis “mulheres fortes” do governo de Obama seria a governadora do Arizona, Janet Napolitano.
Napolitano pode estar em breve à frente do Departamento de Segurança Nacional, criado após os atentados de setembro de 2001.
A política, de 50 anos, foi a primeira mulher na história do país a atuar como promotora do governo, procuradora-geral do Estado e governadora de forma consecutiva.
Imigração
A governadora se opôs a vários projetos de lei que tinham como objetivo os imigrantes ilegais e decidiu pôr ênfase no sistema e nas pessoas que tornam possível a imigração ilegal.
Assim, pediu que os Estados assegurassem que seus empregados residem de forma legal no país e criou uma unidade destinada a deter os que falsificam documentos de identidade.
Napolitano defende reforçar a segurança fronteiriça, mas expressou seu ceticismo sobre a conveniência de levantar um muro na fronteira entre EUA e México.
Grupos a favor de uma reforma migratória integral como América’s Voice deram hoje as boas-vindas a sua possível designação.
“A governadora Napolitano seria uma escolha magnífica”, assegurou Frank Sharry, diretor-executivo da organização, que destacou suas credenciais em segurança nacional e sua capacidade de trabalhar de forma bipartidária.
O senador republicano John McCain celebrou também hoje a possível escolha dela.
“A experiência da governadora como ex-promotora do governo federal, ex-procuradora-geral do Estado do Arizona e governadora garantirá sua rápida confirmação pelo Senado e espero que seja confirmada com rapidez”, afirmou McCain, em comunicado.
Cotas Raciais - Entrevista com Fábio Konder Comparato
1 – Em seu artigo recente o Senhor trouxe algumas luzes interpretativas acerca da questão da escravidão no Brasil. Gostaríamos que o Senhor fizesse uma breve análise sobre a questão da escravidão e a questão atual da efervescência da relação entre a escravidão com o que se fala hoje sobre o princípio da igualdade, em se tratando da questão racial.
Manter a escravidão oficialmente durante quase quatro séculos, provocou conseqüências que dificilmente conseguiremos apagar em pouco tempo.
A escravidão esteve intimamente ligada a um sistema agrário e, esse sistema, era aquilo que os romanos chamavam de “Senhoril”, ou seja, apenas o proprietário tinha direitos, onde, toda família, era submetida a essa prepotência do proprietário. O proprietário tinha uma larga clientela; que eram os pequenos agricultores sem terra, não escravos, que dependiam dele para poder sobreviver. Com base nisso, criou-se um sistema político em que tudo dependia do proprietário, o chamado “Coronelismo”. Era chamado assim porque coronel era a principal patente da guarda nacional e, o chefe político local sempre foi o coronel.
Quando se criou a “falsa República” (já que República significa predomínio do bem comum do povo sobre qualquer interesse privado e, a República no Brasil, foi o predomínio do interesse privado sobre o bem comum do povo) os governadores estabeleceram um pacto com os coronéis, eram esses últimos que indicavam os juízes de direito e os chefes de polícia, os delegados, os promotores, em qualquer razão eram os coronéis que mandavam votar no candidato oficial.
Pelo fato dos escravos nunca terem tido direitos, eles se tornaram inferiores a todos os outros dentro do domínio rural. O coronel tinha uma espécie de dever de proteção do trabalhador agrícola e era uma espécie de chefe do sistema de seguridade social, mas, o negro não pertencia a isso e ele foi rapidamente, senão fatalmente, obrigado a sair do campo e vir para as cidades, e nas cidades ele trouxe consigo o estigma da escravidão, ou seja, o trabalho sempre foi considerado um defeito próprio do sistema servil.
Ninguém deu necessário valor ao trabalho e as conseqüências da escravidão foram muito amplas, por exemplo, no campo do próprio trabalho, havia duas coisas que o alforriado fazia quando conquistava a sua dignidade de não escravo: a primeira era se calçar, o escravo não podia se calçar, deveria andar de pés descalços; a segunda era ele próprio conseguir escravos.
Há um viajante inglês que conta um episódio significativo: ele precisava de um artesão, ou um carpinteiro, ou um ferreiro, então lhe indicaram alguém. Ele chegou a casa dessa pessoa e era um negro, e ele ficou espantado porque o sujeito estava vestido com uma roupa de fidalgo, e ele lhe disse que não poderia atendê-lo, pois o negro dele tinha ido fazer um serviço e não havia voltado com a caixa de ferramentas. Ou seja, como ele era agora livre, seria um vexame para ele carregar a caixa de ferramentas; quem carregava era seu próprio escravo.
No campo sexual o que se viu foi um verdadeiro desprezo pela mulher. O próprio escravo de dentro; o que trabalhava na casa, tinha o maior desprezo pelo escravo que trabalhava no campo. E a própria escrava de dentro, se sentia, de certa maneira, orgulhosa porque tinha a preferência do patrão. A própria noção de família foi totalmente destruída pela escravidão.
Contei nesse artigo publicado na Folha de São Paulo, o caso de um pesquisador norte americano que encontrou no primeiro cartório de notas em Campinas uma escritura pública de 1869 em que um “fulano” tornando-se maior pelo casamento, resolveu alforriar a própria mãe que ele tinha recebido como herança do pai. Não há coisa mais repugnante do que alguém ter que alforriar a própria mãe. Todos os sentimentos familiares, religiosos de respeito à mãe eram contrariados pela escravidão.
2 – Temos 20 anos de Constituição. O entendimento que se tem hoje acerca do princípio da igualdade parece buscar ganhar uma efetividade sobre as políticas de inclusão, políticas de ação afirmativa e as políticas de cotas. Como o Senhor acompanha essa evolução?
Em relação aos negros e pardos, tudo isso é bloqueado. A Constituição, no artigo 7°, determina que haja uma proteção da mulher no mercado de trabalho mediante incentivos específicos, ninguém diz que isto é uma política de discriminação. Mas quando se trata de proteger o negro, levantam até o racismo.
É preciso saber que, por exemplo, no mercado de trabalho, o negro tem, independentemente de sua qualificação, salário que corresponde, em média, a cinqüenta ou setenta por cento do salário do branco, mesmo pobre e sem qualificação e, a mulher negra tem um salário médio que corresponde à metade do salário do trabalhador negro. Isso é evidentemente uma conseqüência da escravidão.
O inciso 20 estabelece uma medida que é análoga, senão idêntica, a política de cotas. A política de cotas visa dar um incentivo, é uma política tímida, com 120 anos de atraso. A própria Constituição determina que haja no mercado de trabalho a proteção da mulher com incentivos específicos, é exatamente a política de cotas, mas, ninguém diz que esse inciso é uma medida discriminatória. Mas tudo o que se propõe em defesa do negro é considerado discriminatório ou racista.
3 – A que o senhor atribui essa interpretação, até mesmo por parte do Poder Judiciário?
A velha mentalidade escravista, não há a menor dúvida. Nós não conseguimos eliminar isto em pouco tempo. Isso faz parte do nosso costume, da nossa mentalidade. Como dizia Montesquieu; “Os costumes e a mentalidade não se mudam por leis, mudam-se pela educação”, é por isso que no nosso sistema educacional, praticamente não existe nada sobre a escravidão, considera-se, isso, um desprestígio para o país.
O pior desprestígio para o país é esse ocultamento sistemático da realidade escravista, temos que tirar isso da cabeça das pessoas e, para tirarmos, é preciso que isso venha à tona e diga exatamente o que foi a escravidão.
Eu sou descendente do maior proprietário de escravos do Império Brasileiro, o Conde Joaquim José de Souza Breves. Tive que entender, e só entendi isso muito tarde, que esta realidade, ou seja, a culpa por isso, se transmite aos descendentes, não é propriamente uma culpa penal, mas, é uma herança de um débito social. É um débito social porque, se eu sou o que sou hoje é pelo fato de eu ter herdado várias coisas, a capacidade de me educar, o fato de ter tido determinados tipos de formação e isto só foi conseguido porque durante séculos os negros sustentaram a nossa economia.
O que agora é preciso fazer, é saber lutar contra isso e para isso é preciso vencer uma outra tradição muito ligada à escravidão, que é a tradição da desunião. Todos os africanos embarcados nos portos eram separados e acobertados dentro do Tumbeiro, nunca se procuram em constituir uma comunidade da mesma língua, com as mesmas tradições, porque isso levava a revolta, então era preciso impedir a comunicação entre os negros que acabavam se detestando porque, velhas tradições africanas faziam com que as etnias lutassem umas com as outras. É preciso saber que o Porteiro, aquele que recolhia os jovens do interior e trazia aos portos de embarque, era sempre de uma etnia diferente daqueles que aprisionava. Então, desde a África, nós temos essa tradição de desunião que persiste até hoje.
O Movimento Negro continua profundamente desunido. Só há duas soluções nesse combate pela dignidade do povo negro: a educação e a ação transformadora das instituições.
4 – O STF já começou a julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Sistema de Cotas e há grande polêmica em função das cotas raciais. O que o senhor espera desse julgamento?
Isto é realmente sintomático. O partido contrário à igualdade agora se chama os Democratas, isso é tipicamente a tradição brasileira, nós tivemos uma República privatista, uma Democracia sem povo e um Constitucionalismo ornamental.
Que os estabelecimentos de ensino preponham esta ação, nada de surpreendente porque, não são estabelecimentos de ensino, são empresas capitalistas, o ensino é apenas a fachada. Agora, que este partido tenha a coragem de se intitular “Os Democratas”, isto é um pouco demais.
Não sei como o STF julgará isto, espero que o STF tenha um comportamento digno e que se lembre que todos nós das ditas classes dominantes, somos o que somos, devido a sangue, suor e lagrimas de todos os africanos e afro descendentes escravizados no Brasil.
5 – Considerações Finais: Com relação à questão da unificação
O Movimento Negro deveria constituir-se sobre a forma de federação, ou seja, preservando a especificidade de cada um, de seus Movimentos e de suas ONGs, mas tendo a capacidade de agir como um todo, por exemplo, propondo ações judiciais. E ao mesmo tempo a constituição de uma federação permite que essas diferentes entidades dialoguem entre si, discutam, podem não pensar a mesma coisa, mas, periodicamente se reúnem para discussão.
Secretaria da Mulher Publica anuncio em 12 jornais em homenagem às mulheres negras.
Audiência pública no Senado Federal marca o lançamento da campanha nacional 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Ato registrou adesão de senadores ao abaixo-assinado da campanha Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres
Iniciou ontem (20/11), no Brasil, a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O ato de lançamento ocorreu em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, no Senado Federal, na presença da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), da diretora-executiva da Agende, Marlene Libardoni, parlamentares e homenageados da campanha, que neste ano adotou o slogan “Há momentos em que sua atitude faz a diferença. Lei Maria da Penha. Comprometa-se!”.
Dirigindo-se à mesa presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS) e ao plenário, a ministra Nilcéa Freire saudou as mulheres negras pela passagem do Dia Nacional da Consciência Negra. A ministra mostrou o anúncio da SPM em homenagem à data e aos 20 anos de fundação do Movimento Nacional de Mulheres Negras, publicado em 12 jornais de circulação nacional e regional.
Violência e políticas públicas
“A violência de gênero não é como as outras, ela se estrutura na desigualdade e no desequilíbrio do poder. A violência contra a mulher é a única que, de certa forma, é autorizada pela sociedade para manter a ordem machista e patriarcal”, disse a ministra ao citar resultados como o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e parcerias com o Ministério da Justiça e Conselho Nacional de Justiça.
Nilcéa também mencionou os assassinatos de mulheres em Pernambuco, em que a maioria das vítimas é desfigurada, e a tragédia de Santo André, em que duas jovens foram mantidas em cárcere privado, culminando com o assassinato de Eloá Pimentel. “Os ex castigam as mulheres quando elas recusam a ordem estabelecida de a mulher ser escolhida. Quando rejeitados, reagem daquela forma. A única coisa que ele [Lindemberg Alves] queria era vida daquela jovem, porque o convívio ela havia recusado”, apontou Nilcéa ao conclamar: “não podemos marcar assassinatos com paixão. Cada um de nós pode intervir”.
Homens pelo Fim da Violência
No contexto de envolvimento de diferentes setores da sociedade para o enfrentamento à violência contra as mulheres, a ministra apresentou a campanha “Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres” e teve pronta acolhida dos senadores Augusto Botelho (PT-RR), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Romeu Tuma (PTB-SP). “Grandes ações e pequenos gestos do cotidiano são fundamentais para o combate à violência contra as mulheres. Coloquei na minha página o selo da Central 180. A Lei Maria da Penha foi um avanço grande contra uma cultura de violência. As campanhas de violência contra as mulheres devem ser permanentes, porque a informação é fundamental para a desconstrução da violência”, considerou o senador Mesquita Júnior que propôs a criação de um índice para aferir a violência contra as mulheres e a classificação da violência contra as mulheres como crime hediondo.
Poder e enfrentamento à violência
Coordenadora da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados, a deputada federal Sandra Rosado falou sobre a presença das mulheres nos espaços de poder e decisão e o combate à violência contra as mulheres como um direito. “Nosso país assiste mulheres sendo jogadas pelas janelas, como se seus corpos fossem sacos de papel. Devemos combater essa cultura arraigada de violência contra as mulheres e queremos contar com os homens para levar a mensagem de que essa impunidade deve acabar”, afirmou a deputada Sandra Rosado, que registrou na audiência pública homenagem à secretária-executiva do PMDB Mulher e integrante do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, Regina Perondi, pela constante atuação na causa das mulheres dentro dos partidos políticos.
Ativismo de senadores
Entusiasta da campanha, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) comprometeu-se em obter 100 assinaturas para a campanha “Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres” e convidou os senadores para ações do mesmo tipo. “Temos de romper com amigos que praticam ou são coniventes com a violência contra as mulheres, a exemplo do que fazíamos na ditadura”, declarou Cristovam Buarque ao rememorar sua campanha de 1994 ao governo do Distrito Federal, quando se deparou com relatos de violências contra as mulheres. “Contem comigo como ativista da campanha, estou aqui junto e onde for preciso”, completou Buarque.
O senador Romeu Tuma (PTB-SP), ao firmar sua assinatura no abaixo-assinado da campanha Homens Unidos pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lembrou os caso de violência no mundo e os fatores que podem atrasar a denúncia das mulheres à situação de violência, mas percebe uma mudança: “hoje as mulheres têm mais coragem para denunciar”. Já o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) distribuiu cartilhas da Lei Maria da Penha no plenário da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.
27/11: coleta de mais assinaturas
Na segunda presidência da audiência pública, a cargo da senadora Fátima Cleide (PT-RO), o senador José Nery (PSOL-PA) propôs ação dos senadores, no dia 27 de novembro, para coleta de assinaturas de parlamentares e servidores no plenário do Senado Federal. Também estiveram presentes à audiência, os senadores Flávio Arns (PT-PR), Jayme Campos (DEM-MT) em Mão Santa (PMDB-PI), a ex-senadora e ex-ministra da SPM Emília Fernandes, a representante do UNFPA Taís Santos, a promotora de Justiça Laís Cerqueira, coordenadora do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o promotor de Justiça do MPDFT Fausto Lima e Germana Morais, representante do Comitê da Lei Maria da Penha do Conselho Nacional de Justiça.
A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres prevê uma série de ações em todo o País para sensibilização da sociedade para atitudes que possam enfrentar a violência contra as mulheres. A mobilização se encerra no dia 5 de dezembro, véspera do Dia Nacional de Luta dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
fonte: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres